sexta-feira, 18 de maio de 2012

Entendendo o amor... pelo Manchester City

Vamos começar com um assunto que me agrada: Manchester City.

Para quem não sabe, a minha torcida por esse clube começou em 99/00, depois de ler uma entrevista dos irmãos Gallaghers, ex-Oasis, banda eu sou fã. Mas naquela época eu era um xiita, muito fanático.

Essa paixão se tornou intensa em 2004, após partida contra o Tottenham. Depois de sair perdendo o primeiro tempo por 3 x 0 para os Spurs, o Manchester City reverteu o placar, virando o jogo e vencendo por 4 x 3. Pela primeira vez eu veria o Typical City em ação. E pela primeira vez, também, eu lagrimaria pelo clube.

Vejam o vídeo desse jogo: http://www.youtube.com/watch?v=e58rdYk1rPE (não deu para incorporar)

Desde então venho tentando, na medida do possível, acompanhar o clube. Nessa época ele ainda não era poderoso, não contava com grandes estrelas e por isso não era assediado pela mídia. Era complicado, pois tinha que caçar links na internet, escutando com narração em espanhol, francês e na maioria das vezes, em árabe.

Na temporada 07/08 outro fato importante aumentou meu amor pelo clube e um certo desgosto pelo United e seu técnico Sir Alex Fergunson. No jogo em Old Trafford, casa do rival, o City faria o derby contra o United e também participaria de uma homenagem dos 50 anos da tragédia de Munique, onde o avião com jogadores do United caiu e morreram vários jogadores. O City quebrou um jejum de mais de 30 anos e venceu na mesma temporada o United duas vezes, uma em casa e outra fora.

Eu não tinha soltado um grito de campeão, pelo menos oficialmente. Em 2009, no Troféu Joan Gamper, o City enfrentou o Barcelona no Camp Nou e venceu por 1 x 0, gol do Petrov, sendo 'campeão' do torneio na pré-temporada. Isso só ocorreu na temporada 10/11, quando o City venceu na semi final o United por 1 x 0, em Wembley; e na final do Stoke City, também por 1 x 0. Em ambos os jogos, os gols foram de Yaya Touré. Foi uma emoção muito grande, pois depois de mais de 40 anos o City soltava o grito de campeão, vencendo a competição mais tradicional do mundo.

Por fim, veio a mais emocionante conquista de todos os tempos da Premier League. E para a nossa alegria, foi do Manchester City. Um jogo tenso e conturbado contra o Queens Park Rangers. O técnico do QPR foi treinador do City antes de Roberto Mancini e achou que foi demitido equivocadamente, sentindo uma raiva misturado com ciúmes do City. Além de ter sido um grande ídolo do rival United. Todos esses ingredientes e o fato do Manchester United está jogando ao mesmo tempo e sendo campeão com a derrota momentânea do City para o QPR deu um sabor especial nesse título.

13/05/2012. Essa data já seria inesquecível, pois era dia das mães. E além da minha mãe, que é mais que especial, tinha conhecido uma outra, que é especial desde do momento que a conheci. Poderia ter sido o pior dia das mães da minha vida e consequentemente das mães especiais daquele dia. Foi durante 94 minutos. O City estava perdendo o título e o jogo, por 2 x 1, até aos 46 minutos do segundo tempo, quando Silva bate escanteio e Dzeko sobe lá no terceiro andar para empatar: 2 x 2. Um grito tímido e pra dentro foi tudo o que fiz. Segurei a euforia e aquilo ficou preso dentro de mim. Aos 49 do segundo tempo, provavelmente o último lance do jogo, De Jong levou a bola até o meu de campo, Aguero saiu da área e recebeu um passe na meia lua da grande área, gingou para o lado esquerdo e tocou para Balotelli. O mesmo protegeu a bola, girou 90 graus e devolveu a bola para Aguero, no último suspiro e além do limite da ponta do pé. Aguero saiu do marcador e fuzilou: GOOOOOOOOOOOOOL.

Eu dei um grito muito alto, uma explosão, falei todos os palavrões possíveis. Meus pais estavam almoçando e ficaram espantados e feliz ao mesmo tempo; a gata (de estimação) estava deitada na minha frente, saiu num pulo e só foi vista de novo na noite daquele domingo. Chorei tanto! Foi algo único e emocionante. Naquele momento só pensava em gritar. Gritei por 5min sem parar, até que minha pressão baixou e parei na Unimed. Chegando lá, fiquei melhor e simplesmente saí. Senti um sentimento parecido quando o Paysandu foi campeão da Copa dos Campeões em cima do Cruzeiro. Foi incrível.

Uma coisa eu aprendi nesse jogo, que aplico até na minha vida: nunca desista daquilo que você quer. Ainda mais se isso depende apenas de você. O City tinha tudo para desistir, mas buscou forças e virou o jogo. O tempo as vezes pode se tornar seu inimigo, mas faça dele um aliado. Não deixe o imediatismo lhe consumir.

C'mon City!